[Editorial] Abrindo caminhos: a direção do foco da Microsoft

Microsoft

O Windows 10 Mobile está mais perto do que nunca. Toda comunidade está ansiosa por esse momento que vem sendo esperado a meses. Está chegando a hora de conhecermos finalmente a versão final do sistemas que nós – Insiders –  ajudamos a construir. As vésperas de recebermos a build que representa a versão RTM a comunidade é só felicidade… ou deveria ser?

No decorrer dos últimos meses, o programa insider permitiu milhões de pessoas pelo mundo a testar e prover feedback para o desenvolvimento da nova grande atualização, porém a sua grande facilidade em abranger usuários “interessados” banalizou bastante o significado do programa. Milhares de pessoas ingressaram no programa apenas para testar, sem intenção de realmente fazer parte do grupo de feedback e principalmente sem o conhecimento do teor do projeto. Esses usuários, que sempre esperavam por um desempenho exemplar de um sistema por muito tempo em fases inciais de desenvolvimento são inclusive aqueles que não acreditam no Windows 10 Mobile, também.

Contudo, o desânimo não se resume ao motivo citado, estando também voltado pelas incertezas ao compromisso da empresa, reforçado pelas mais recentes ações da companhia. Vamos por alguns pontos de forma mais clara:

  • O Windows nos Smartphones ainda é importante para a Microsoft?

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Mas é claro que sim! e a maior evidência disso é o UWC (universal windows plataform) que nada mais é todo o ecossistema universal criado pela Microsoft. Esse ponto, destacado fortemente como uma das vantagens principais para o Windows 10 em qualquer dispositivo (PC, vestíveis, Xbox, Smartphones) simplesmente não existe sem os smartphones. Seguindo as palavras de Chris Capossela (vice-presidente executivo e Chief Marketing Officer):

“Se você ama o Windows 10 , se você ama o seu tablet com Windows 10 , ou seu Surface , ou seu notebook, queremos ter um belo smartphone para você, algo que te deixaria muito orgulhoso em ter a mesma experiência em todos os seus dispositivos, o mesmos aplicativos serão executados no seu telefone como são executado no seu notebook ou tablet.”

Esse é o diferencial do sistema da Microsoft. Essa é a proposta que a empresa quer poder apresentar. Afinal, quem não iria querer ter uma integração completa baseada no mesmo sistema entre qualquer dispositivo? o que parecia algo extremamente distante, está hoje a centímetros dos usuários. Isso simplesmente não existe sem o Windows 10 mobile.

  • Pouca propaganda? pouco investimento?

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Esse é um ponto bastante debatido nos últimos anos. Realmente, a postura da Microsoft quanto ao marketing do seu sistema é muito duvidoso. Contudo, tenhamos em mente que essa divisão está passando por uma extrema restruturação. Os novos Lumias 950 e 950 XL se mostram como exemplos, uma vez que eles são um projeto que ganhou forma durante o processo, sendo desenvolvidos pelo antigo time da Nokia que hoje está totalmente alterados.

O Windows Phone tem dado prejuízo financeiro desde o inicio, então, não, não é hora de atacar o mercado com fazem empresas como Samsung e a Apple. É o momento para reflexão, criação de bases firmes e alteração de padrões ineficazes. Assim a Microsoft busca tornar o seu sistema consistente o suficiente para apresentar algo que os usuários vão querer, que eles vão amar.

“Portanto, temos que estar em busca de qual é “a próxima curva na curva”. Isso é o quefrancamente, qualquer um tem que fazer para ser relevante no futuro. No nosso casoestamos fazendo isso. Vamos fazer isso com nossa inovação sob o Windows. Vamos fazer isso com recursos como Continuum. Mesmo com os smartphones, não quero simplesmente construir mais um celular, ou mesmo um sistema imitador.”

  • O valor da marca

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A tardia entrada da Microsoft ao mercado móvel tornou a sua marca muito menos relevante para o usuário contemporâneo. É isso que Nadella quer mudar.

“Já não falamos dos indicadores de atraso nos resultados e sucesso, certo, qual é a receita, lucroQuais são os principais indicadores de sucesso? o Amor do cliente”

Iniciativas como a expansão dos serviços Windows para outras plataformas e a abertura das “Flagship Store’s” mostram claramente a nova postura da empresa. Ela não quer ser apenas uma marca com bons serviços e sim uma marca que as pessoas amem. Isso é bastante similar ao que a Apple tem feito no mercado durantes anos. O CEO da Microsoft quer criar os melhores serviços, serviços esses que estarão disponíveis para qualquer um, em qualquer plataforma. Acostumando as pessoas ao uso dos seus serviços, ter um smartphone, um computador, um console que possua integração completa aos serviços da Microsoft não parece uma escolha ruim.

  • Foco bem direcionado

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Afirmando focar em um portfólio reduzido e em mercados e em seguimentos que tragam mais resultado a plataforma, Satya Nadella mostrou uma estrategia muito mais retraída da companhia quanto aos smartphones. A disponibilidade dos novos flagships em pouquíssimas operadoras pelo globo preocupa fãs de todo o mundo assim como o futuro dos aparelhos de baixo e médio custo.

O Windows Phone vem crescendo bastante em diversas áreas do globo, chegando a passar dos 10% de participação em alguns mercados, e isso é apenas um lado da moeda, já que alguns outros mercados a participação do sistema não chega a 1%. Em um momento de restruturação, organizar o seu planejamento é vital para evitar prejuízos. A empresa busca vender os seus dispositivos onde as pessoas realmente vêem valor neles, para as pessoas que querem realmente compra-los e principalmente com os parceiros que realmente estão compromissados (como no caso da AT&T).

“Eu acredito que nossa participação no segmento de telefone por si só, é importante que os dispositivos Lumia estejam lá, é importante e é por isso que escolhemos as três áreas onde temos diferenciação e nós iremos focar nelas.

Com os dispositivos a estrategia não se difere. Com o lançamento dos novos flagships a Microsoft deu inicio a uma linha em que proporciona novas experiências para o público que quer novas experiências é o foco. Com o continuum, por exemplo, a empresa quer poder trazer um dispositivo e produtividade com capacidades que só você poderá ter com o Windows.

“Estou empenhado em nossos dispositivos first-party, incluindo smartphones. No entantotemos de concentrar os nossos esforços a curto prazo durantecondução de reinvenção. Passamos de uma estratégia de crescimento em um negócio de smartphones independente para uma estrategia de crescimento e criação de um vibrante ecossistema windows que inclui nossa família de dispositivos first-party.”

A falta de novos dispositivos intermediários e a apresentação tímida do Lumia 550 deixou todos os usuários receosos que buscam esse seguimento mais básico, com razão. A mensagem por trás disso é clara: por mais que a empresa tenha deixado claro que caso nenhuma fabricante traga o Windows 10 Mobile ao mercado, ela mesma o fará, é preciso que exista um espaço para se ocupar para que haja quem queira investir na plataforma.

Provavelmente veremos pouquíssimos dispositivos na linha Lumia e talvez o foco ao mercado intermediário seja minimo por parte da Microsoft e isso tem uma razão de ser. Essa não é a área em que a empresa se destaca, como com os aparelhos de entrada. Com essa ausência, a companhia espera seduzir empresas grandes como a Samsung, LG e HTC e diversas outras OEM’s para ocupar esse espaço, criando um espaço mais promissor para se apostar. Ainda que os puristas da linha Lumia não simpatizem com a ideia, isso é de extrema vitalidade para o crescimento do sistema.

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Certamente, o Windows 10 Mobile é uma das peças mais importantes que a Microsoft tem para montar em seu futuro, mas como sempre foi, os planos da empresa são direcionados a longo prazo, visando o futuro. O Windows 10 Mobile é o primeiro passo do recomeço e não “a ultima chance para o Windows Phone” como muitos pensam.

Sobre André Portella

Estudante de TI, viciado em música, adorador de tecnologia e games.