[Editorial] Com proposta única, usar Windows Phone era como ver a tecnologia por outros olhos

Para aqueles que um dia se viram como reais entusiastas da proposta rica e diferenciada do Windows Phone, é cada vez mais triste ver o fim que essa história encontrou. Muitas vezes taxados de “haters”, a decepção dos descrentes de hoje quase sempre reflete um avido fã de ontem, que um dia se encantou pela inovação por trás do projeto da Microsoft, mesmo sabendo de todos os defeitos e do árduo caminho que havia para alcançar o sucesso.

Caso você conheceu o Windows Phone pelo que ele é hoje, certamente não sabe o que eu quero dizer. Nascido como uma proposta alternativa ao que o mercado oferecia, o Windows Phone 7 era totalmente o oposto a tentativa falha tentativa de assimilação ao convencional conhecida por Windows 10 Mobile.

Viajando em um percurso alternativo, o sistema dos “quadradinhos” encantou aos seus usuários com a sua usabilidade única, proporcionada pelas suas inteligentes Live Tiles, que tinham a ambição de evoluir o conceito da tela inicial para um centro interativo de informações, aumentando a produtividade e diminuindo os cliques. O que falar dos hubs e as suas conexões, que chegaram até mesmo a substituir aplicações sociais para muitos usuários. Usar o Windows Phone era como encarar a tecnologia por outros olhos, seja pelas páginas continuas da interface Metro, ou por sua simplicidade objetiva.

Que a ausência dos apps sempre foi um problema, não há como negar. Toda a frustração ao ficar de fora da experimentação do novo joguinho do momento, da aglomeração ao redor de um app social badalado e até mesmo os problemas gerados com a ausência de soluções praticas de bancos e empresas notáveis como a Google, certamente foram pontos que já fizeram um fã repensar a sua permanência entre os domínios da Microsoft.

Contudo, haviam coisas que somente o Windows Phone oferecia para as grandes massas: Fluidez, segurança e suporte. Aposto todas as minhas fichas que a velocidade surpreendente do seu smartphone de entrada te fazia repensar a necessidade de certos apps. Como não olhar e considerar as preciosas aplicações exclusivas oferecidas pela Nokia?

Surpreendentemente completas e úteis, se tornavam uma parte do sistema e demonstrava todo o interesse da marca em agradar seus consumidores. Isso era reforçado a cada update recebido, para aquele pequeno pedaço de hardware, seja ele lançado a um mês ou até dois anos. Quem nunca bateu no peito pra dizer “meu smartphone não pega vírus”?

A esperança vivia, mesmo em meio a tanta descrença. Após a chegada do Windows Phone, o consumidor comum passou a voltar os olhos para os grandes eventos da Microsoft, como antes fazia apenas com os realizados por empresas como Apple, Samsung ou Google. Era notável o entusiasmo do CEO da companhia, ou a confiança de nomes como Joe Belfiore ao revelar mais uma função com potencial para alavancar a proposta, cada vez mais notável ao mercado. Em auxílio a isto, a participação ativa da Nokia apresentava aparelhos cada vez mais interessantes e inovadores, que faziam os fãs da concorrência salivarem. Mas foi aqui que…

As coisas mudaram…

Olhar para o Windows 10 Mobile hoje é como ver um artista promissor que se perdeu ao longo da sua carreira. Onde estão as principais características do DNA do Windows nos smartphones? desanimada com o lento crescimento do Windows Phone e o seu baixo potencial em gerar renda, a nova gestão da Microsoft decidiu tornar o sistema mais “familiar” ao usuário, e este provavelmente foi o ponto de ruptura de todo o caminho trilhado para garantir a acensão que o sistema tinha adquirido.

Abandonando suas raízes, o Windows 10 Mobile foi concebido através de um confuso processo de desenvolvimento, disputando a atenção dos desenvolvedores com os mais lucrativos e bem sucedidos produtos da empresa. O resultado disto é o sistema lento, instável e problemático que temos hoje.

Ciente do problema, a Microsoft adiou o seu lançamento ao máximo, sobrevivendo a toda cobrança do público massivo conquistado pelo sistema móvel. Quando não havia mais para onde correr, a errônea liberação foi feita, apresentando um dos primeiros motivos para o posterior descaso em relação ao sistema.

Com uma divisão de hardware indesejada para gerir e um sistema improdutivo em questões financeiras, o crescente descontentamento da base instalada parece ter sido o gatilho ideal para que o Windows Phone fosse jogado para a reserva. O decorrer dessa história todos conhecem: lançamentos inexpressivos, atualizações paliativas que pouco ou nada evoluíram o sistema, indiferença em relação as falhas e a má distribuição do software e o triste descontinuamento sobre os investimentos do setor.

Você, fã de longa data, certamente não pode simplesmente apontar apenas um culpado pela a sua decepção em torno da situação do sistema da Microsoft, mas certamente tem suas opiniões sobre o que poderia ter sido feito (ou evitado) para contar que a contar a história de outro modo.

Ainda assim, esses pensamentos serão eternamente desejos secretos, que continuaram a ser vistos como uma forma de ódio e desgosto por aqueles que ainda relutam a encarar os fatos. A Microsoft agora se move para outro foco, em busca de uma nova possibilidade que pode incluir ou não os smartphones, vistos como “obsoletos” por ela.

Sobre André Portella

Estudante de TI, viciado em música, adorador de tecnologia e games.