[Editorial] O que a Microsoft não tirou da Nokia

Os moldes do retorno da Nokia tem colocado pulgas atrás de orelhas ao redor do mundo inteiro, criando incertezas e questionamentos em relação a quem seria de fato a empresa que esta ressurgindo. Trabalhando como administradora de um trabalho que na verdade será regido pela HMD, a Finlandesa colocou interrogações em relação a se de fato estes novos aparelhos terão o “selo de qualidade NOKIA”, que foi bastante valioso nos últimos anos.

Para podermos analisar isto é necessário voltarmos a nossa atenção para a composição deste projeto: conforme estivemos batendo nesta tecla, a HMD não é qualquer empresa. Composta por uma equipe de peso, a companhia possui diversos ex-funcionários Nokia e Microsoft demitidos na chacina empregatícia promovida pela dona do Windows. Encabeçada pelo Co-fundador da renomada HTC e grandes cabeças da empreitada resultante da fusão das companhias, como Arto Nummela Juho Sarvikas, existe uma grande aposta sobre efetividade que poderá ser imprimida no mercado. Mas ainda assim, como saber se o legado da Nokia será continuado e não resetado?

Se fez uma nuvem sobre as capacidades criativas que sobraram a Nokia, uma vez que os termos da venda do seu setor móvel para a Microsoft não chegaram a ser dispostos com clareza por toda a mídia. Até hoje os diversos entusiastas e veículos ainda perpetuam a ideia de que a Nokia teria vendido suas patentes para a Microsoft, e consequentemente perdido as suas propriedades e capacidades criativas, o que não é verdade.

Como é possível notar no comunicado oficial da venda, foi feito um licenciamento das patentes por 10 anos, dando direito as duas empresas  a as utilizarem e receberem royalties pelo uso de terceiras. Na época da venda, alguns poucos veículos como a renomada Reuters comentaram sobre este detalhe ignorado.

Isso envolve o direito para, de fato, fazer uso das invenções da Nokia“, disse o advogado geral da Microsoft, Brad Smith. “Não envolve a transferência ou a propriedade das próprias patentes.”

Ainda que extremamente valiosas, a Microsoft acabou por não adquirir as patentes da Nokia, tendo apenas as licenciado por 10 anos, possuindo ainda a possibilidade de negociar o prolongamento e até mesmo a compra total. Isto ocorreu por conta da Nokia acreditar no potencial do valor do seu portfólio, buscando atingir algo próximo aos 12 bilhões envolvidos na venda da Motorola para o Google, valor que a Microsoft não pretendia pagar.

Ao falarmos de 2013, é possível imaginar que a finlandesa ainda não tinha planos concretos para a volta no setor móvel, oque se voltado para os dias de hoje torna improvável que exista de fato uma negociação quanto a venda total destas patentes, ou pelo menos alguma decisão que coloque a Nokia em desvantagem.

O portfólio da Nokia é sem dúvidas um dos mais valiosos do mercado, resultante do trabalho de uma empresa que liderou por muito tempo o segmento. Este leque gigante inclui renomadas propriedades como a tecnologia Pureview, Clearblack, o uso das lentes Zeiss, tecnologias de bateria, câmera, resistência, produção, e muito mais, havendo em seu interior diversas das patentes que compõe o funcionamento do Android, sendo inclusive o principal interesse da Microsoft, que buscou ampliar ainda mais o retorno de royalties sobre a venda dos dispositivos que rodam o sistema da Google. Em contraparte, a posse da Nokia resultará na vantagem em relação ao custo geral da produção de um smartphone (uma vez que não pagará royalties por diversas da patentes cobradas pela MS).

Esclarecendo estes detalhes, é possível afirmar que sim, “um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar”, tendo a Nokia grande poder para abalar as estruturas do saturado mercado Android. Ainda que não seja o que muitos esperavam, o renascimento de mais uma das gigantes do passado pode significar que esta mais do que na hora de quebrar os padrões.

Agradecimento ao leitor Jaime Jr, com fontes e um importante debate que deu origem ao pensamento.

Fonte.

Sobre André Portella

Estudante de TI, viciado em música, adorador de tecnologia e games.