[Editorial] O Windows Phone/Mobile e a sina dos profetas do fim.

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É bom falar com vocês de novo! Passei um tempo afastado por motivos de prioridade vital e nesse meio tempo pude ler muitos textos e comentários, o que me surpreendeu de cara. Há uma instabilidade enorme entre as opiniões da comunidade! Em meio as preocupações corriqueiras como a incerteza sobre o desempenho do Windows 10 mobile e a sempre presente falta de apps vi que existem “novos fantasmas” tirando o sono de muita gente.

Com a divulgação dos resultados financeiros do terceiro semestre, a comunidade entrou em choque. Se há pouco tempo atrás o sistema estava batendo recorde entre as suas vendas, dessa vez houve uma queda de 54%! E como se isso não fosse o bastante, em reação as informações negativas diversos apps de peso em alguns países como o Mint e o Bank of America deixaram a plataforma. É hora de se desesperar? não mesmo.

Realmente tinha alguém que não estava esperando por isso? é só olhar o histórico dos acontecimentos de 2014-2015 e verão que o ocorrido já era mais do que certo. Desde a carta de Nadella, começamos a ver uma grande restruturação no setor mobile da Microsoft, e isso balançou muito as coisas. Mudando totalmente a estratégia, a Microsoft que antes tentava uma grande competidora no melhor estilo Samsung – sem sucesso, diga-se de passagem –  alterou o seu rumo entrando em uma rota muito mais racional e coesa, graças a visão extremamente acertada do seu novo CEO.

Satya Nadella-

O primeiro passo foi assumir a derrota. Depois de bater a cabeça por todos esses anos, já está mais do que claro que competir com Android e o iOS de frente não é uma boa ideia. O Windows definitivamente perdeu essa batalha, mas não a “guerra” – sim, com bastante enfase nas aspas. Não há porque tentar lutar para chegar ao topo de um mercado que já tem fortes rótulos, e por Nadella saber bem disso sua visão é muito diferente sobre o que o Windows pode fazer no mercado móvel.

Ele sabe que não adianta tentar atrair as massas, mas que há um público que tem um especial interesse nesses dispositivos. Mirar em todos aqueles nichos em que o sistema tem sido bem quisto até agora parece uma estratégia bem mais sensata, não? Que tal dar aqueles que amaram a experiência com aparelhos de baixo e médio custo novos dispositivos ainda mais robustos? sem duvidas, é importante adicionar o maior “tempero” que da nome a empresa, a produtividade. E talvez mais importante, oferecer aparelhos que possam inspirar aos usuários e amantes da empresa, tendo capacidade para inovar e ser uma proposta singular ao mercado.

Porém, para isso seria necessário alterar todo o conceito do sistema. É só dar uma olhada no novo portfólio da Microsoft para se ter a noção de que o contexto até então usado para o Windows Phone não se encaixava com essa proposta:

  • Surface Pro 4, o Tablet que verdadeiramente pode substituir o seu laptop. Com a terceira versão do modelo a Microsoft mostrou ao mundo o quão interessante essa combinação pode ser, não é atoa que estamos vendo uma enxurrada de híbridos, alguns não tão híbridos assim (iPad Pro, Pixel C, cof,cof). Isso cheira a inovação, reinvenção de mercado.
  • Surface Book, o Notebook perfeito que ainda pode ser o seu tablet. Quando falamos assim, parece algo tão bobo que realmente não fica claro toda a genialidade que fica explicita no primeiro momento que você bate o olho no dispositivo. Mais uma vez, inovação, reinvenção de mercado.
  • Microsoft Band 2. Em uma enxurrada de smartwatches, como uma pulseira pode se sobressair? Dando um foco ao seu real proposito – fitness – a pulseira trouxe recursos inovadores (como o VO2 Max) e ainda um conceito muito mais coeso. Sim, é um gadget para a qualidade de vida e saúde mas trazendo tudo o que há de realmente útil nos smartwatches junto com a sua tela e diversos sensores, porém descartando toda a perfumaria. Inovação e reinvenção e mercado?

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E os smartphones? até agora, os aparelhos com Windows Phone tentavam ser apenas uma alternativa ao Android e iOS, como um sistema possivelmente mais vantajoso ao usuário. Com o Windows 10 Mobile a empresa busca trazer algo além do “feijão com arroz” dos smartphones.

Quando penso em nossos Windows Phones, quero que signifique algo como Continuum. Quando eu digo, Uau, isso é uma abordagem interessante onde você pode ter um telefone e esse mesmo telefone, por causa de nossa plataforma universal com Continuum, e pode na verdade ser um ambiente de trabalho. Isso não é algo que qualquer outro sistema operacional mobile ou dispositivo pode fazer. E isso é o que eu quero que nossos dispositivos e inovações signifiquem.”

Satya Nadella


Assim, os novos Lumias 950 e 950 XL vem para fazer aquilo que só o Windows pode fazer: transformar o seu portátil em um real computador. Bom, se isso não é inovação e reinvenção do mercado, não sei o que é.

Contudo, para começar do zero, muitas coisas tem que mudar, e mudaram. Com uma leva imensa de demissões que perpetuam até o atual momento, vimos a empresa diminuir drasticamente a quantidade de fábricas e empregados em base de uma fabricação mais direta e produtiva, uma distribuição mais inteligente e um portfólio mais enxuto e efetivo. Assim, pessoas importantes como Stephen Elop (ex- CEO da Nokia que tinha sido absorvido como presidente na divisão de dispositivos) e muitos dos influentes engenheiros e designers da Nokia foram substituídos, em busca de uma visão totalmente diferente, e toda essa bagunça buscando organização, é claro, refletiu no mercado.

Chegando perto da marca de 2 anos sem um top de linha e com um portfólio imenso e muito bagunçado, as vendas obviamente caíram. Em meio a uma renovação de tal nível não parecia sensato lançar novos aparelhos com o Windows Phone 8.1, não havia porque promover os atuais e nem ao menos continuar abastecendo lojas com tantos aparelhos divergentes aos novos ideais. Sem aparelhos a venda, sem marketing decente, nenhuma marca vende. Logo, eu pergunto: Porque o espanto com os resultados divulgados?

Lumias-950-950-e-XL-550

Você deveria esperar por isso. A Microsoft sabia que isso ocorreria, e não sejamos ingênuo, isso continuará acontecendo até que todo processo de restruturação se complete. Os primeiros passos já foram dados: com a chegada dos novos Lumias 550, 950 e 950 XL a companhia estará pronta para “começar tudo de novo”, e todo um recomeço é árduo. Com o grande desafio de mostrar que qual a real diferença na proposta do novo sistema, a empresa de Redmond sabe que ainda há muitos altos e baixos até que o seu objetivo seja alcançado, principalmente por conta da ciência que sem dúvidas eles tem de que o Continuum – é uma a função de maior importância para os novos objetivos da empresa – precisa maturar muito até conseguir fazer tudo o que o conceito que ele sugere. E assim, ao contrário do que muitos pensam, essa não é a ultima chance para o Windows nos Smartphones.

Carregar grande parte da proposta de um Windows relevante em um futuro dominado pelo meio mobile é uma missão do Windows Mobile, e assim como eu disse meses atrás a Microsoft sabe da importância do sistema para o futuro da empresa. Cada vez isso se torna mais claro e consolidado com o avanço da Windows Bridge e do conceito dos apps universais que não tem sentido algum sem a presença mobile. Então parem de encarar cada derrota como um fim eminente, quem perdura por aqui desde o Windows Phone 7 sabe que o caminho sempre esteve repleto de altos e baixos. Esse é apenas um novo capitulo e não um epílogo.

Sobre André Portella

Estudante de TI, viciado em música, adorador de tecnologia e games.