Moto G no Brasil: Até quando o marca sustentará as vendas de um Smartphone que reluta a evoluir?

Graças ao acertadíssimo lançamento da primeira geração da linha Moto no Brasil sobre os parâmetros conhecidos, a marca da Motorola cresceu de forma absurda no conceito do consumidor tupiniquim, algo que permanece até hoje exemplificado nos altos números e na terceira posição nas vendas locais. O expressivo custo benefício do modelo parrudo para os poucos reais que cobravam fez com que a linha G se tornasse a queridinha dos brasileiros, assim como sinônimo de qualidade por um preço justo.

Contudo, não é segredo para ninguém que a linha não tem apresentado um ciclo evolutivo competente. Focando em trazer pontos de interesse específicos de uma geração pra outra, a Moto tem olhado com descaso para a evolução de hardware, fazendo com que isso atraísse mais público casual e afastasse o público “hardcore”. Uma vez que a primeira parcela representa a maioria, não é justo crucificar a companhia dado ao modelo capitalista onde o lucro é totalmente priorizado. Ainda assim, isso tem de certa forma limitado o alcance da linha.

Mais do mesmo…

Com os olhos de um usuário que busca inovação e avanço tecnológico, a primeira, segunda e terceira geração da linha G apresentam um cenário extremamente tedioso. Com quase nenhuma evolução em processamento, todos os 3 modelos contam com apenas 1 GB de memória RAM, memória interna que não ultrapassa os 16 GB, a mesma resolução de tela. A grande novidade de uma geração para outra foi o aumento da tela e a mudança da câmera. Isto certamente não é o suficiente para manter com cliente um entusiasta de smartphones.

Na quarta geração a coisa melhorou bastante. Com uma tela ainda maior, resolução melhorada, processador expressivamente melhor, maior quantidade de memória RAM, o modelo trouxe finalmente o upgrade que era esperado desde 2013, com direito até mesmo a uma variante com foco a laser e leitor de digitais, mas isso veio acompanhado de uma expressivo aumento de preço. Em um movimento na terceira geração – mesmo que esta não trouxesse nada de muito novo –  a linha vem aumentando de forma inesperada a sua faixa de preço, ano após ano. Será mesmo que  os problemas econômicos e o fim da lei do Bem é o suficiente para justificar o aumento de mais de 400 reais do Moto G3 pro G4?

Geração “quatro e meio”

Mas engana-se quem achou que isso seria o suficiente para frear a companhia. Mesmo que a adesão aos novos aparelhos não tenha sido tão grande quanto antigamente, a cada geração a Moto estabelecia uma posição de maior privilegio em nosso país, até que enfim chegamos ao ponto onde o Moto G5 e sua versão Plus chega ao nosso mercado. Com a mesma tendência adotada nas 3 primeiras gerações, o foco era dar o corpo metálico e o armazenamento que o público casual trazia, em contraparte trazendo novamente o mesmo pacote de resolução, RAM e bateria, deixando mais uma vez de lado o público hardcore em segundo plano.

Sendo quase um flashback da segunda para terceira geração, só o que mudou internamente foi o processador (se não contarmos a tela diminuída), que pelo menos se posiciona bem acima do anterior. Quando falamos do modelo convencional, somos jogados a uma interessante evolução para a sub-linha Play da companhia, que por si só não compensa a estagnação do dispositivo principal.

Olhando em volta

Fica a grande dúvida: será que o Moto G5 Plus vale a pena? se você possui um Moto G4 ou G4 Plus, certamente não. Mas a coisa fica feia ao notar que o novo G não se apresenta bem nem mesmo para quem deseja fazer um upgrade a partir de uma classe inferior. Ao olharmos diretamente para a sua concorrência notamos que o novo aparelho bate de frente com dispositivos como o Galaxy A5 (2017) e Zenfone 3, que apresentam especificações muito mais interessantes.

Com um design mais atraente, processadores competentes e equivalentes, telas e baterias maiores e memória RAM superior (entre outros detalhes), em comparação direta, as opções da Asus e Samsung fazem o novo Moto G5 Plus parecer um patinho feio em meio a uma vitrine luxuosa, isso sem falar em poderosos modelos do passado que encontram-se na mesma faixa (o Zenfone 2 por exemplo). Olhando por este parâmetro, não é estranho se questionar se a Lenovo foi gananciosa demais ao cobrar 1.499 por este dispositivo. A situação fica ainda mais séria quando notamos que aparelhos como o Moto Z Play, Galaxy S6 e o Xperia X, se encontram em faixas bastante próximas, oferecendo muito mais vantagens a uns 200-300 reais de distância.

Uma vez lembrado o evento de apresentação global da novidade, as coisas começam a ganhar um certo sentido. Anunciado com versões de 2, 3 e 4 GB de RAM para as duas variantes, a situação podia ser vista de outra forma caso a empresa tivesse aderindo um posicionamento diferente por aqui. Uma vez que a marca de 4 GB de RAM ainda não foi oferecida para os dispositivos de gama intermediária em nosso país, ao posicionar um modelo com estas especificações na faixa de preço apresentada teríamos uma boa compensação sobre os aspectos estagnados, assim como os retrocedidos. Mesmo assim, a grande representação brasileira para a linha não foi suficiente para trazer estas opções, criando uma grande discrepância entre o preço e o pacote oferecido pelo dispositivo.

Há quem diga que a decisão de trazer o modelo com 2 GB para cá tem a finalidade evitar a canibalismo entre a linha G e Z, mas isso não justificaria o seu preço de lançamento. Para onde foi o custo benefício que alavancou tanto a marca? Será que vale a pena apostar na famosa linha tendo uma grama mais verde no jardim ao lado?

Sobre André Portella

Estudante de TI, viciado em música, adorador de tecnologia e games.