O fenômeno por trás dos “fanboys” – quando a paixão por uma marca vai além dos limites

Vivemos em um mundo altamente competitivo, onde qualquer área a que consumimos ou trabalhamos está cheia de competidores e propostas diferentes. Como somos seres humanos e possuímos características e personalidades que nos definem, é totalmente natural que nos identifiquemos com a filosofia e o padrão de qualidade aplicado por uma companhia em especifico, seja ela uma marca de smartphones, até uma marca de margarina.

Alguns fãs desenvolvem uma paixão completa pela aquela marca e seus produtos, e passa a venerar e defende-la, mesmo que por vezes não tenha consciência do nível dessas ações. Um efeito parecido acontece com os times de futebol, onde torcedores vão aos estádios torcerem com todos os seus sentimentos e ficam totalmente arrasados com uma derrota ou uma má colocação do seu time, assim como um fator simplório como uma vitória em um “mero” jogo de futebol pode deixar o torcedor feliz a semana inteira.

Fan…Boy?

Este fenômeno ocorre quando certas marcas conseguem criar emoções em seus clientes, uma espécie de “Lovemarks”. Através de um marketing bem aplicado ou uma proposta diferenciada, algumas marcas são capazes de despertar sentimentos obsessivos nos seus clientes, tornando eles fieis a estas marcas. Muitas vezes isso é o suficiente para fazer com que o individuo se meta em qualquer discussão para defender a marca, mesmo que muitas vezes os argumentos não sejam racionais, mas isso não importa.

Mesmo sem nenhum pagamento da marca em questão, a pessoa passa a propagar mensagens positivas e fazer recomendações gratuitas, acreditando estar fazendo um favor a humanidade. Se alguém não concordar com esta opinião, ela esta errada, afinal, quem poderia estar certo se não eu? como em um mundo com 7 bilhões de pessoas haveriam pessoas com necessidades diferentes e personalidades das minhas não é mesmo?

Um caso bem conhecido está entre os fãs da Apple. Para alguns deles, ter um iDevice é questão de identidade e representa muito sobre eles. Não existem outros aparelhos a volta, “se não for um iPhone, nem ao menos é um smartphone”. Mas passou o tempo onde eles eram os maiores afetados. Hoje os fãs do Android em alguns casos chegam a superar o fanatismo criado pela Apple, uma vez que se acham uma raça superior, tendo feito escolha absoluta. Afinal “você não pode personalizar assim não é mesmo?”, fala o usuário que muitas vezes não roota, adiciona um launcher e muda os ícones. O que falar dos fãs do Windows Phone, presos em um passado onde a fluidez do sistema era incontestável, atacando tudo o que não remete a Microsoft.

Todos iguais, mas diferentes

O ponto da questão é que certas características trazem vantagens especificas a um ou outro sistema, oferecendo vantagens que podem ou não trazer significado a suas necessidades e te oferecer a identificação que não havia na outra opção. Assim como o Android é customizável, descomplicado, aberto e conectivo, o iOS é mais seguro, padronizado, mais organizado, por muitas vezes mais fluído e com mais opções de apps, e o Windows é seguro, minimalista e integrado ao PC. Ainda assim, muitas pessoas não conseguem entender porque uma pessoa diferente teria necessidades diferentes da dela. Dá pra acreditar?

Isso tende a aumentar constantemente, uma vez que os Lovemarks criam uma comunidade de seguidores que aceitam e comungam das mesmas ideias e opiniões. Assim, estes conceitos são explorados e reforçados dentro de uma bolha social, que faz com que você acredite que cada vez mais que o seu ponto de vista é soberano. “Se tantos concordam comigo, então quem discorda obviamente está errado”.

Tudo vem da base

Engana-se você se acha que isto é um efeito causado simplesmente pela falha consciência humana. As marcas sabem converter os seus compradores a fãs, e possuem grandes estrategias para tentar te tornar mais um dos seus seguidores irremediáveis. E acredite, essa influência fará com que você tente convencer outros a defenderem as decisões da companhia mesmo sem que você mesmo não as entenda.

Sobre André Portella

Estudante de TI, viciado em música, adorador de tecnologia e games.