Proibição da Huawei: quem sai perdendo ou ganhando?

Acusada de espionagem internacional pelo homem mais poderoso do mundo, o futuro da Huawei nos mercados internacionais pode torna-se nebuloso a partir dos próximos meses. Com a decisão, Trump proíbe que companhias americanas negociarem com a gigante chinesa, que hoje é uma das principais clientes de processadores e modens americanos.

Como é de se imaginar, estima-se que o bloqueio cause impactos negativos consideráveis para ambas as partes. Deste modo, empresas diretamente ligadas ao caso, como Qualcomm e Intel, mostraram imposição em frente ao claro prejuízo, mas o cenário pode afetar ainda mais as “engrenagens”.

Afinal, quem sai perdendo?

Primeiramente, a própria companhia, obviamente. Impossibilitada de negociar com o Google, os dispositivos encontram a limitação sobre a suite de serviços da gigante de Mountain View, incluindo principalmente a Google Play Store. De mesmo modo, empresas que oferecem lojas alternativas como Amazon e Epic sofrem do mesmo efeito, visto que estão localizadas em solo americano. Ainda que os modelos tenham obtido excelente desempenho em países asiáticos utilizando lojas de aplicativos de empresas locais, estas não podem atender bem mercados ocidentais.

O impacto também deverá atingir os usuários, visto que as atualizações do sistema operacional dos novos aparelhos podem estar comprometidas. Ainda que seja improvável que os modelos lançados recentemente sofram imediatamente, aparelhos das linhas anteriores dificilmente deverão receber atualizações devido ao relacionamento barrado com o Google, que também deve ser impactado ao passo que será necessário que a Huawei trabalhe diretamente sobre o projeto open source do Android, encorajando a companhia a adotar o seu sistema próprio, batizado como “Hongmeng” .

Além disso, até mesmo outras marcas americanas devem sofrer, visto que atualmente a chinesa tem obtido a dianteira do mercado de câmeras para dispositivos móveis, superando até mesmo a Samsung e Sony nessa frente. Indo mais além, fornecedoras de equipamentos que compõe os chipsets próprios da Huawei devem ter seus lotes preparados para modelos atuais empilhados nas prateleiras, visto que a produção dos mesmos deve ser severamente reduzida.

E quem saí ganhando?

Como era de se esperar, nem todos os personagens envolvidos saíram perdendo. Com a crescente acensão dos modelos asiáticos em mercados ocidentais e consequentemente a valorização destes frente as opções das marcas já conhecidas por aqui, a retirada da Huawei na disputa pode favorecer companhias como Xiaomi e Oppo, que deverão ver sua participação crescer bastante ao passo em que a concorrente perde espaço. Ainda que isto possa representar uma concorrência reforçada em território asiático, a perspectiva de expansão não deixa de ser valiosa.

Ainda que bem menos provável, existe a possibilidade que a Huawei possa obter sucesso com o Hongmeng por aqui também, o traria benefícios ao mercado com o enfraquecimento do monopólio do Android e consequente encorajamento para o desenvolvimento de sistemas próprios vindo de outras fabricantes.

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Sobre André Portella

Estudante de TI, viciado em música, adorador de tecnologia e games.